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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Caça ao tesouro "El Gurugu": consciência corporal e orientação espacial*




Este trabalho trata da possibilidade do uso do jogo "Caça ao tesouro em El Gurugu" no desenvolvimento do raciocínio espacial em crianças. O jogo apresentado foi construído para a Semana de Ciências de Madrid/Espanha com crianças entre 4 e 5 anos. Os materiais foram elaborados especificamente para serem trabalhados no Centro de Interpretação da Natureza “El Gurugu” uma vez que são confeccionados com mapas e imagens desse espaço, entretanto, a ideia aqui é que essa dinâmica sirva de exemplo e estímulos para outros itinerários. Nossa experiência revelou que as crianças pequenas podem manipular os planos e também interpretar representações cartográficas simples mediante pictogramas que refletiam a realidade. Este trabalho aposta em uma inicialização cartográfica que busca uma progressão gradativa dessas habilidades desde a Educação Infantil, e não somente nos anos finais do Ensino Fundamental.


APLICAÇÃO E CONSTRUÇÃO  DO MATERIAL DIDÁTICO 


atividade de orientação corporal e orientação espacial - aula de geografia
Mapa Caça ao tesouro El gurugu
O objetivo do jogo foi trabalhar o espaço vivido e percebido, a partir da leitura e interpretação de um mapa com representações simples. As orientações da atividade tinham uma abordagem da aprendizagem por descobrimento mediados pelos professores no Centro “El Gurugu”.
A escolha da atividade no Centro de Interpretação da Natureza (CIN) Gurugu buscou criar uma situação fictícia (em um espaço real) que conduzisse as crianças a pensarem espacialmente as situações propostas sem deixar de lado o caráter lúdico e instigante da atividade. O conto infantil, contextualizou a evolução temporal daquele espaço, “explicando” as mudanças da paisagem a partir da necessidade do homem. Teve-se o cuidado de criar um conto em que o enredo do espaço fossem o pano de fundo da atividade para dar uma ordem temporal e uma noção de sequência, uma vez que o CIN “El Gurugu” mescla paisagens com resquícios rurais (La majada e o poço) com construções modernas (elevador e passarela).
Através da história de um avô que escondeu um tesouro que utilizava em suas viagens, fomos narrando aos alunos a história daquela paisagem, contextualizando os principais pontos ou objetos que estavam localizados no mapa (fogão, poço, etc.). Estes objetos eram fundamentais como pontos de referência para os alunos se localizarem e localizarem o local do tesouro.
Apesar da dinâmica do jogo ter como proposta inicial a localização de um tesouro, o objetivo pedagógico da atividade não se restringia apenas na habilidade de localização espacial, mas sim a de criar condições para o aluno situar-se e situar os objetos e lugares no espaço e no mapa. 



lateralidade


Fonte: Elaboração própria

Nesse exercício o aluno pode desenvolver algumas noções elementares que contribui para o desenvolvimento do raciocínio espacial como lateralidade e a noção de distância. É nesse momento que acreditamos que a atividade corpórea pode contribuir para o desenvolvimento desse raciocínio de forma significativa, uma vez que estimula as crianças a pensarem e agirem em situações espaciais concretas, conforme descreve Trepat e Comes,


Plantear las actividades de orientación desde las ciencias sociales en el marco de situaciones-problema lo más “reales” posible, de manera que la actividad espacial suponga al alumno reflexionar sobre su propia percepción espacial (TREPAT e COMES, 2007, p. 160).


A atividade consistiu em uma sequência didática dividida em três momentos:

- Aula introdutória e a utilização do Jogo Dominó do Gurugu
Para que os alunos se familiarizassem com a legenda do mapa, elaboramos um jogo de dominó (figura 1,2 e 3), que consistia nos encaixes entre as legendas do mapa e as fotos reais dos pontos de referência. Assim, no lado direito da peça se encontra o desenho pictográfico, e no lado esquerdo uma fotografia referente a outro local. O aluno tem que buscar a foto do referido desenho em outra peça.


Figura 1: Dinâmica do jogo dominó

      Figura 2: Aula preparatória


- Atividade no Centro “El gurugu” e a utilização do jogo “Caça ao tesouro"
Na atividade prática, dividimos os alunos em dois grupos para facilitar a procura ao tesouro. A introdução da atividade foi feita com o conto sobre um menino que procurava um tesouro escondido por seu avô. A partir desse conto que era narrado durante todo o itinerário a depender do local em que os alunos se situavam, iniciou-se a busca realizada por todo o grupo com o auxílio do mapa do jogo. A ideia era que os alunos decidissem qual o caminho e direção a seguir. Mesmo quando escolhiam um caminho errado, deixávamos que seguissem, até perceberem o erro e retornassem ao caminho correto. Assim, podíamos identificar até que ponto os alunos reconheciam as relações espaciais como em frente e atrás, direita e esquerda.
A ideia foi que a partir do espaço físico vivenciado pela criança através de seus movimentos e deslocamento eles concebessem noções de distâncias, das semelhanças do mapa com a realidade, sem perder o caráter lúdico da atividade, uma vez que a atividade era direcionada para Educação Infantil. Durante a busca ao tesouro os alunos podiam explorar os espaços de lazer do Centro, como o mini arborismo, assim como estava representado no mapa. 
O tesouro era uma bússola, que se mostrou muito interessante aos alunos. Ao explicar este instrumento, foi comprovado o norte apontado no mapa e pôr fim a atividade prática foi finalizada.

- Atividade de encerramento com desenho do mapa
O terceiro momento da atividade ocorreu em sala de aula com a retomada do mapa e de algumas noções e relações espaciais que haviam sido exploradas. A ideia era trabalhar com os alunos o espaço experimentado, completando a passagem do espaço vivido para o espaço percebido. Pedimos aos alunos que representassem em uma folha de papel as observações, para que pudéssemos apreciar os resultados obtidos.

   
Resultados e possibilidades
Durante a atividade, a mediação era controlada, uma vez que queríamos que os alunos tivessem a oportunidade de mover-se pelo espaço a partir das indicações, provocando neles a “necessidade” da utilização do mapa como um recurso e não apenas como uma ilustração.
Segundo as categoriais do espaço descritas por Hannoun (1977), apresentamos no quadro a seguir a descrição das noções que a atividade desenvolveu.

CATEGORIAS ESPACIAIS DESENVOLVIDAS
DESCRIÇÃO
Orientação do espaço
-Lateralidade

-Profundidade

   -Anterioridade
- se localizar e localizar os objetos em relação a eles mesmos e em relação a outros objetos: à frente, atrás, à direita, à esquerda
- andar pelo espaço, indo pela direita, pela esquerda, por baixo, por cima
Apreciação de distâncias (não métricas)
- a partir da experiência do itinerário reconhecido e o mapa do tesouro se estabelece a noção de distância qualitativas (noção dos tamanhos de um objeto, ou da trilha percorrida)
Análise e estruturação do espaço
-Objeto no espaço
-percepção do meio por outros ângulos (aéreo) a partir da trilha suspensa
-observação de todo o centro a partir do itinerário percorrido (distinguir os elementos visíveis) por onde passou, qual o trajeto...
-confecção do croqui
-Posição relativa do objeto no espaço

O espaço vivido é considerado como a base do conhecimento escolar para estruturar o conhecimento geográfico. Castrogiovanni (2000, p.16) afirma que “o espaço vivido é prático, organizado e equilibrado em nível da ação e do comportamento social”. Nesta abordagem se encontram as práticas de sala de aula propostas por Straforini (2004) como estudo de meio, do bairro, da cidade., etc. En los mapas se materializan distintas dimensiones de la espacialidad que se presentan bajo las categorías de forma, localización o distribución de los diferentes objetos, temas o problemas que se traten”, afirma Gurevich, (2007, p. 192). Por tanto, se desde a educação infantil se propõem sequências didáticas com mapas, é possível que as crianças consigam ler a realidade.
Neste trabalho buscamos compartilhar possibilidades de elaborar uma sequência didática com os jogos cartográficos. O dominó e o caça ao tesouro permitiram motivar o interesse das crianças pelos mapas confrontando-o com a realidade.  A continuação, o roteiro por um espaço natural, mediante um conto e o jogo, através da aprendizagem por descobrimento mediada pelos professores criou possibilidades para a tomada de decisões dos alunos.
Ao realizarmos a atividade em um espaço que permitia um deslocamento, e simultaneamente o uso do mapa (deste mesmo espaço), a criança era levada a buscar referências reais para situá-las no espaço e se situar no mapa.
Podemos dizer que a atividade do caça ao tesouro proporcionou nas crianças a projeção do esquema corporal para os objetos. O que estava à frente do poço, estava ao lado da La majada. O próprio deslocamento do corpo alterou a projeção da polaridade (figura e a designação do lugar tanto dos objetos quanto da própria criança ao mover-se pelo centro. Sob essa perspectiva, acreditamos que a atividade levou às crianças a pensarem o espaço além da referência apenas do próprio esquema corporal.

Fonte: Elaboração própria

A sequência didática, além de contribuir diretamente no aprendizado do aluno, possibilitou a criação de uma situação de ensino que propiciasse aos professores envolvidos, momentos de observação e reflexão sobre experiências relativas ao raciocínio espacial em crianças pequenas à luz das teorias pedagógicas espaciais que apontamos no início.
Isso permitiu a observação de como as crianças organizavam e modificavam suas ações para se situarem no espaço tendo como referência os objetos localizados no mapa. A criança conseguia localizar-se no mapa e seguir o caminho indicado, principalmente quando o caminho a ser percorrido era uma encruzilhada e exigia a seleção de um deles. 

Etapas da construção dos materiais


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]


*Este texto é uma revisão sinóptica do artigo O desenvolvimento do raciocínio espacial na Educação Infantil: Estudo decaso com Jogos Geográficos no Centro de Educação Ambiental (BREDA e GARCIA DE LA VEGA, 2016) e do Capítulo de Livro Jogos geográficos na escola: possibilidades para trabalhar noções espaciais e cartográficas (BREDA, 2017).

*Financiamento FAPESP/BEPE/DR (Processo 2014/22919-9) – Projeto “La Alfabetización Cartográfica y el uso de juegos en la formación de profesores: una aproximación entre Brasil y España”, com a supervisão do prof. Dr. Alfonso García de la Vega no Programa de Posgrado en Educación da Facultad de Formación del Profesorado Y Educación, na Universidad Autónoma de Madrid


Agradecimentos
À Daniela Derosas e Marcos Chica pela participação, colaboração e organização em todo o processo de desenvolvimentos desta atividade.

Referências bibliográcas.
ALMEIDA, R. D., JULIASZ, P. C. S.  Espaço e tempo na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2014.
CASTROGIOVANNI, A. C. Apreensão e compreensão do espaço geográfico In: CASTROGIOVANNI, A. C.; C., H. C., KAERCHER, N. A. (Org.) Ensino de geografia, Porto Alegre: Mediação, p. 8-81. 2000.
EGAN, E. K. La comprensión de la realidad en la educación infantil y primaria, Madrid: Morata. 1991
GUREVICH, R. Claves pedagógicas para un análisis geográfico. Em: FERNANDEZ CASO, M. V. y GUREVICH, R. Geografía. Nuevos temas, nuevas preguntas. Buenos Aires: Biblos, p. 171-202. 2007
HANNOUN, H.El niño conquista el medio; Buenos Aires: Kapelusz, 1977.
PIAGET, J. INHEKDER, B. A representação do espaço na criança. Porto Alegre: Artes médicas, 1993.
SIMIELI, M. E. R. Cartografia e ensino, proposta e contraponto de uma obra didática  São Paulo, 1996. Tese (Livre-docência).  FELCH. Universidade de São Paulo.
STRAFORINI, R. Ensinar geografia. O desafio de totalidade-mundo nas series iniciais, São Paulo: Anna Blume, 2004
TREPAT, C. A. COMES, P.  El tempo y el espacio em la didáctica de las Ciencias Sociales. Barcelona, Grao, 2007.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Jogos Pontos turísticos do Brasil




As imagens de satélite, bem como as fotografias aéreas, além de serem formas de representação da paisagem, permitem o registro visto de cima de elementos que compõem a superfície terrestre. Trabalhar com a perspectiva vertical, de cima para baixo, é fundamental para a leitura de mapas, uma vez que essas imagens mostram lugares de um ponto de vista aéreo, do alto, de “lugar nenhum”.


A aquisição de imagens da plataforma Google Earth é uma tecnologia gratuita e de fácil acesso, sendo constituída de imagens orbitais e fotografias aéreas verticais coloridas “naturais”. “As Geografas, ali, vistas de cima, são muito verossimilhantes àquelas percorridas diariamente por nós” (CAZETTA, 2011, p. 178). Essa verossimilhança facilita o manuseio e a interpretação das imagens; pois, conforme destaca Silva (2005), nosso sentimento de realidade associa-se ao nosso sentimento de familiarização. Apesar de as peças serem
confeccionadas com fotografas aéreas e imagens de satélite e não serem propriamente mapas, são documentos gráficos espaciais que podem servir de primeira base cartográfica integradora do entorno do aluno.

A série com os três jogos a seguir segue uma ordem de complexidade do pensamento espacial (percepção visual, coordenação de perspectivas, projeção e representação) em que gradualmente são incluídas novas noções. O primeiro dominó, por exemplo, é uma atividade mais simples, porém esses primeiros ensaios cartográficos são estratégias importantes e estão ligados a outras habilidades que mais tarde auxiliarão o aluno na compreensão de mapas. Sinta-se à vontade para utilizá-los separadamente, ou estabelecer a sequência que julgar mais apropriada para seus objetivos pedagógicos.  

Jogo dominó I - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a interpretação de imagens, com o intuito de incentivar a leitura de textos e a leitura a partir de figuras (fotografias e imagens de satélite).
          Na ponta direita, encontram-se fotografias frontais de um objeto, e na ponta esquerda um texto referente a outro objeto. Cada imagem encaixa-se com um texto específico. Este jogo busca despertar no aluno a interpretação de paisagens e relacioná-las em um contexto.
         
Link para download do jogo: Dominó I - Pontos turísticos do Brasil

Jogo dominó II - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a interpretação de imagens, com o intuito de abarcar as visões vertical e frontal, fundamentais para a construção da legenda. O uso de fotografias tem um grande potencial para a construção do conceito de legenda, devido ao fato da sua relação de analogia qualitativa com o referente como as formas, cores, proporções.
          Na ponta direita, encontram-se fotografias frontais de um objeto, e na ponta esquerda uma fotografia vertical, referente a outro objeto. Cada imagem frontal encaixa-se com a imagem na perspectiva vertical.
          Este jogo faz parte da Coleção Jogos Geográficos e busca trabalhar a Alfabetização Cartográfica.



Jogo da memória - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a formação dos pares iguais das cartas, que são imagens de satélites. Essa dinâmica permite treinar a visão vertical através da utilização das “chaves de interpretação”, como a tonalidade, forma e tamanho, que auxiliam o reconhecimento dos diferentes objetos nesta perspectiva da imagem, contribuindo para a construção da noção de legenda e leituras de mapas.
          Este jogo faz parte da Coleção Jogos Geográficos e busca trabalhar o letramento Cartográfica.




Fonte:
BREDA, T. V. Jogos Geográficos na sala de aula. Appris: Curitiba, 2018
CAZETTA, V. Educação visual do espaço e o Google Earth. In: ALMEIDA, R. D. de. Novos rumos da cartografa escolar: Currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011. p. 177-186.
SILVA, L. G. da. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateralidade, referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. M. V. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São João: Contexto, 2005. p. 137-156







domingo, 27 de maio de 2012

Caça ao Tesouro Ecológico

JOGO CAÇA AO TESOURO ECOLÓGICO
Uma reflexão crítica e lúdica sobre os recursos hídricos*




CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO

     Pensar no recurso hídrico nos remete a uma gama de abordagens e para o desenvolvimento deste material nos limitamos em três diferentes usos: o doméstico, a produção de materiais e de alimentos, e sobrevivência. Esses três usos foram esquematizados no jogo “Caça ao Tesouro Ecológico” de maneira a propiciar um entendimento das relações sociedade-natureza, ou seja, as diferentes formas com as quais os homens se apropriam dos recursos. A contextualização histórica atual evidencia a situação alarmante do meio ambiente no sentido do uso desequilibrado deste recurso, concretizados em ações como o desperdício e o consumismo. Assim, apoiados na corrente da Educação Ambiental Crítica, o jogo pretende formar indivíduos que problematizem e ajam conscientemente nas questões sócioambientais. 
     Para tanto, o uso doméstico, definido pela SEMA, 
É o uso mais nobre da água, essencial para a manutenção da vida humana, ela é usada para suprir o corpo humano e também necessidades como limpeza de utensílios e habitações, higiene pessoal, cozimento de alimentos, irrigação de jardins, combate a incêndios, limpeza de ruas (BRASIL, 2001, p. 26).
     A partir desta definição foi possível dimensioná-la no material didático levando os alunos a buscar objetos como a torneira e o vaso. Nas pistas que levam a esses objetos esses puderam refletir acerca da quantidade de recurso utilizada e que trás uma necessidade de atitude consciente da utilização do recurso finito, a água. 
     Pensar o uso da água na produção de materiais levou-os a procurar o computador, o metal e o livro. Neste momento a intenção é mostrar aos alunos os impactos da tecnologia de produção no recurso. No processo de produção industrial e agrícola é refletida a utilização de uma grande porção de água e contribui para o entendimento do meio ambiente quando mostra que o recurso hídrico está aplicado não apenas em sua forma bruta, evidenciando ainda mais sua fundamental importância. 
     Por último, o uso da água para a sobrevivência enfoca a condição básica de vida dos seres vivos, a alimentação. Assim, esta se configura como essencial à manutenção da vida e sua produção, na agricultura, utiliza relevante quantidade de água. 
     Em relação ao “tesouro” no final das pistas, as mudas de árvores foram escolhidas devido aos múltiplos papéis que a vegetação exerce na configuração de um ambiente agradável e estável, por exemplo, proteção do solo, regulação térmica e importância no ciclo hidrológico. Vale ressaltar que é no tesouro que o aluno é levado a uma atitude consciente no momento que escolhe “plantar” a muda.
     Nesta perspectiva, a aplicação do material didático, o jogo “Caça ao tesouro ecológico”, na 6ª série, teve como objetivo principal promover a consciência ambiental e a mudança de valores nos alunos de modo que sua atitude possa refletir num meio ambiente equilibrado. 
     Para tanto, foi necessário uma aula introdutória para a construção dos conceitos de Meio Ambiente e Degradação Ambiental. Neste momento, ressalta-se a participação ativa do professor como um mediador no processo de ensino-aprendizagem e o material didático, o jogo, como um instrumento de trabalho. Trata-se de uma relação intrínseca entre estes agentes, de maneira que a falta de um deles pode vir a comprometer o processo.
O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensoriomotor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso os métodos ativos de educação das crianças exigem que se forneça um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil (PIAGET, 1964).

     Diante disso, o jogo se torna mais uma alternativa, pois permite ao aluno construir conhecimento além de dinamizar a aula. Especificamente o “Caça ao tesouro ecológico” é um material que contribui para o processo de educação ambiental.

AULA INTRODUTÓRIA        

     Antes da aplicação do “Caça ao Tesouro Ecológico” se fez necessário uma aula introdutória do meio ambiente com enfoque nos recursos hídricos. A estratégia didática valorizou o lugar, uma vez que a educação ambiental prima pela construção de valores e um repensar nas atitudes que são primeiramente materializadas no lugar. 
     O estudo do lugar deve possibilitar a direta relação com a totalidade já que é possível identificar dinâmicas globais nesta categoria geográfica. O ponto de partida deve ser a inter-relação entre o lugar e o todo, pois, devido o fenômeno da “globalização” não existe lugar estanque, o mundo é uma “sociedade em rede”, globalmente interligado, mas, que contempla peculiaridades.

Cada lugar é, a sua maneira o mundo. Ou como afirma M. A. Souza (1995 p. 65) “ todos os lugares são virtualmente mundiais”. Mas, também, cada lugar, irrecusavelmente imersos numa comunhão com o mundo, torna-se exponencialmente diferente dos demais. A uma globalidade corresponde uma maior individualidade (SANTOS, 2006, p. 213).
     Os Parâmetros Curriculares trazem a preocupação em superar a prática dos círculos concêntricos que preconizam o ensino de Geografia de maneira estanque, uma vez que não inter-relacionam as diferentes escalas. De acordo com os PCNs não se deve trabalhar mais do nível local para o global hierarquicamente e a compreensão da realidade local relacionado no contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade de maneira mais abrangente, desde os ciclos iniciais (PCN’S, 1997). 
     O ensino de Geografia e a construção de valores que contemplem o viés da educação ambiental são mais significativos quando os alunos estudam os espaços próximos de suas vivências, pois, os conceitos se tornam mais concretos e culminam em maior interesse. 
     Desta maneira, a primeira atividade, a dinâmica “Teia da Vida”, consistiu em construir com o aluno o conceito de meio ambiente afim de que eles compreendessem as inter-relações existentes e que não há hierarquia entre os seres vivos, cada um apresenta sua função indispensável. 
     Ao término da atividade os alunos notaram a teia de barbante que foi formada, então um aluno, representando a árvore, simulou o corte e todos os outros alunos sentiram a reação. A dinâmica serviu para fazer uma analogia dos impactos no meio ambiente caso haja degradação de algum elemento. Com um enfoque sistêmico, esta atividade foi de fundamental importância para o estabelecimento de relações causais entre os elementos e acontecimentos que possibilitaram um entendimento do meio ambiente.
     O papel do educador, segundo Freire (1974), é construir junto com o aluno a problematização a fim de gerar um diálogo entre educador e educando. Assim, a tarefa do educador, 
 [..] não é transferir, depositar, oferecer, doar ao outro, tomado como paciente de seu pensar, a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos. A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de interagir, desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico. (FREIRE, 1974, p. 41).

     Durante o debate sobre a dinâmica, a questão do desperdício e da poluição dos recursos hídricos foi relevante para elucidar a situação do córrego, visto no trabalho de campo no córrego Águas do Jacu, principalmente para aguçar as discussões e a percepção ambiental dos alunos. Vale ressaltar, que passado algum tempo próximos ao córrego, os alunos ficaram incomodados com o mau cheiro e os mosquitos oriundos da sujeira.
     Os alunos se impressionaram com a degradação apesar do prévio conhecimento do córrego. Com a mediação foram instigados a uma reflexão crítica a respeito da situação dos recursos hídricos. Assim, o trabalho de campo se configurou como um importante instrumento para a construção do conceito de degradação ambiental em conjunto com a mata ciliar, a erosão e o assoreamento, relevantes para a compreensão da problemática e viabilidade da EA, assim, para fundamentar o jogo.
           

APLICAÇÃO DO JOGO “CAÇA AO TESOURO ECOLÓGICO”

     O jogo “Caça ao Tesouro Ecológico”, dividido nas suas três dimensões de uso da água, permite oferecer aos alunos o conhecimento e a compreensão deste recurso natural para que adquiram valores e atitudes a fim de evitar o desperdício. 
     O jogo teve início com a instrução das regras passadas pelo instrutor aos alunos participantes. 




     Logo em seguida, dividiu-se a sala em dois grupos de acordo com o número de participantes e foi escolhido um representante para cada grupo. A primeira pista que dá início ao jogo foi entregue ao representante de cada grupo, para que este repassasse para os demais. Após sua leitura começou a busca. Ao final das seis pistas os alunos receberam o “tesouro”, uma muda de árvore, plantada por eles no final da atividade.


Link para download das pistas e regra: Caça ao tesouro ecológico

     O material didático construído viabilizou os objetivos traçados no projeto de educação ambiental, com uma maior aproximação da relação sociedade-natureza explorando o meio ambiente da escola e a abordagem problemática das condições do córrego próximo a este espaço.


AVALIAÇÃO

     Após o jogo, foi incitada uma discussão, contida nas regras, a fim de que os alunos relacionassem as pistas com a realidade em que se inserem fazendo um paralelo com a dinâmica global vigente. Esta discussão tem condições de propiciar uma reflexão por meio do seu entendimento enquanto agente integrante e responsável no meio ambiente, assim, da importância da conscientização ambiental. Neste momento a contribuição dos alunos foi salutar, estes se demonstraram receptivos acerca da atividade proposta a partir de suas mais diferentes abordagens.
     A discussão teve caráter avaliativo na aplicação do jogo, pois os apontamentos dos alunos permitiram verificar que a reflexão dos mesmos veio ao encontro dos objetivos propostos, demonstrando a relevância de um comportamento consciente na relação custo da natureza e necessidade do homem, quando mencionaram de forma espantosa os dados quantitativos na produção dos materiais. 
     Para concluir a discussão destacou-se a necessidade de uma mudança de atitude conjunta à conscientização, assim, teriam condições de disseminar a produção de um meio ambiente equilibrado no uso do recurso hídrico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

     A prática da Educação Ambiental realizada nesta disciplina contribuiu com o processo de promoção de uma consciência ambiental nos alunos e para a transformação de seus comportamentos. Em conseqüência disso, espera-se um uso equilibrado do recurso hídrico. 
     A construção do entendimento do aluno como sendo este um agente integrante e responsável no meio ambiente iniciou-se na aula introdutória para se concretizar no jogo. Esta construção se deu com a problemática dos recursos hídricos no meio ambiente nas escalas do lugar e do global. Nesta perspectiva, desenvolveu-se e aplicou-se um material didático, o jogo “Caça ao Tesouro Ecológico” que contemplasse os objetivos da Educação Ambiental com enfoque nas três dimensões do uso da água, ou seja, nas diferentes funções as quais é necessária. 
     A aplicação do jogo contextualizado com a realidade atual oportunizou uma reflexão, no entanto, atividades como esta ainda tem um longo caminho a ser percorrido, visto que os professores encontram dificuldades em trabalhar a EA na sala de aula. Com a intenção de contribuir com os materiais didáticos do Centro de Pesquisa de Educação Ambiental coordenado pela Profª Dra. Luciene Cristina Risso, o jogo “Caça ao Tesouro ao Ecológico” estará disponível para que seja utilizado na prática da EA, assim, visa estimular e atenuar essas dificuldades. 
     Almeja-se assim ter colaborado com o processo de formação de agentes críticos, capazes de reconhecerem a realidade do meio ambiente em que se inserem, bem como a realidade na qual as questões ambientais como um todo estão inseridas, visto os interesses políticos e econômicos como os do agronegócio, da canalização, da negligência frente a degradação dos cursos hídricos e entre outros.

 
REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União. Brasília, 1998.
______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos. Apresentação dos temas transversais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.
______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos. GEOGRAFIA. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.
______. Parâmetros em Ação – Meio Ambiente na Escola: guia do formador. Brasília: MEC/SEF, 2001.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
DIAS, G.F. Educação Ambiental: princípios práticas. São Paulo: Gaia, 2004.
ALVES, Lucimar e Sá. A Educação Ambiental e a pós-graduação: um olhar sobre a produção discente. Dissertação. Rio Claro, 2006.
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Neuchâteo, Suíça: Editions de Lachaux et Niestlé, 1964.
TOMAZELLO, M. G. C.; FERREIRA, T. R. C.. Educação Ambiental: que critérios adotar aara avaliar a adequação pedagógica de seus projetos? In: Revista Ciência e Educação, v.7., 2001.
 RAMOS, P. Educação ambiental como Política pública: Avaliação dos Parâmetros em Ação - Meio Ambiente na Escola. Dissertação de mestrado. Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade de Brasília, 2004. 




*Projeto desenvolvido por Angélica de Jesus Batista, Luzia de Jesus Matos, Raquel Camalionte Castilho, Silvia Aparecida Fiori Mano e Thiara Vichiato Breda na disciplina de Educação Ambiental ministrada pela Profª Dra. Luciene Cristina Risso no curso de Geografia da UNESP/ Ourinhos.

sábado, 28 de maio de 2011

Jogos para o município de Ourinhos-SP


APRENDENDO BRINCANDO: O USO DOS JOGOS NAS AULAS DE GEOGRAFIA*

“a criança faz bem aquilo que faz com prazer”
CHATEAU


A importância de jogos na sala de aula se justifica pela necessidade de materiais atrativos, instigantes que despertem a curiosidade e a vontade de aprender de forma prazerosa. Dessa forma, o jogo tem sua parcela de contribuição no ensino, que como afirma Silva (2006):
[...]o jogo confere ao aluno um papel ativo na construção dos novos conhecimentos, pois permite a interação com o objeto a ser conhecido incentivando a troca de coordenação de idéias e hipóteses diferentes, além de propiciar conflitos, desequilíbrios e a construção de novos conhecimentos fazendo com que o aluno aprenda o fazer, o relacionar, o constatar, o comparar, o construir e o questionar (SILVA, 2006, p. 143).
Piaget (1964), também discute a questão do jogo, entretanto, com uma abordagem diferente. Enquanto Silva (2006) aborda sobre o jogo no ensino, Piaget (1964) trabalha com o jogo na formação da inteligência e, para o pesquisador, o uso do material permite o processo de assimilação; este equilíbrio entre assimilação e acomodação permite a construção da inteligência.
Desde modo, conforme discorre (PIAGET, 1964, p. 19), almeja-se que o jogo se torne mais uma alternativa de material (elemento gerador) heurístico para o professor, pois permite ao aluno por meio de regras e métodos construir por si mesmo a descoberta, o conhecimento e dinamizar a aula, já que o jogo é uma atividade "pelo prazer", ao passo que a atividade séria tende a um resultado útil e independe de seu caráter agradável.Buscando atingir esses objetivos, desenvolvi 5 jogos: os quatro primeiros utilizaram o sensoriamento remoto para a confecção de suas cartas, já o último utilizou o mapa do parque como tabuleiro:

Jogos a partir de imagens de satélite e fotografias aéreas
As imagens de satélite, bem como as fotografias aéreas, além de serem formas pela representação do espaço geográfico, permitem o registro de elementos que compõem a superfície terrestre. Nesse panorama, o professor deve ter clareza que o seu desafio para a leitura da paisagem consiste em “[...] fornecer ao aluno um recurso que possibilita identificar diferentes usos do território [...]”. (ALMEIDA, 2003, p. 160).Tais recursos não se fazem presentes na prática educativa, o que contraria a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que aponta a necessidade do uso de novas tecnologias. Com o intuito de inserir essas novas tecnologias no ambiente escolar, conforme já ressaltado nos PCN’s, essa etapa foi destinada a atividades que possibilitem ao aluno uma aproximação mais contextualizada da leitura espacial e geográfica dos elementos da paisagem, por meio dos produtos de sensoriamento remoto, com a confecção dos jogos cartográficos:


a) Dominós
O jogo dominó, além de fotografias utilizadas, também foi construído por imagens captadas pelo satélite do Google Earth. No entanto, foram criados dois jogos de dominó, em que no primeiro, a sua dinâmica se realiza pelo encaixe entre uma pergunta e sua respectiva representação (imagem), buscando despertar no aluno a interpretação de paisagens e relacioná-las a um contexto. 





 Link para download do jogo: Jogo de Dominó: Andando por Ourinhos




O segundo jogo, se dá com o encaixe entre uma imagem de satélite (visão vertical) e uma fotografia (visão obliqua).Devido ao fato de trabalhar com imagens nas posições vertical e oblíqua, espera-se que o aluno observe imagens por diversos ângulos, porém perceba que se referem aos mesmos objetos, assim permitir a compreensão de mapas que são construídos considerando a visão vertical do real e que, muitas vezes, os alunos sentem dificuldade de interpretar, por não estarem acostumados com a visão vertical; o jogo estimula essa relação.


Link para download do jogo: Jogo de Dominó: Voando por Ourinhos




b) Jogo da memória
As peças construídas neste jogo tiveram suas imagens captadas por satélite, disponibilizadas no Google Earth, de pontos do Município de Ourinhos. Assim, o aluno dever encontrar os pares iguais nas cartas identificando-as e, em seguida, encontrar tais pontos no mosaico de fotografias a fim de despertar a sua localização e finalizar com uma discussão a respeito de cada ponto, destacando sua importância e peculiaridades.O objetivo dessa atividade é levar o aluno a identificar e localizar objetos conhecidos a partir do reconhecimento dos elementos representados, partindo da visão vertical, buscando desenvolver a localização, a lateralidade (ao lado, atrás, em frente). Este jogo permite também trabalhar a noção da proporção e conseqüentemente de escala pois estimula as relações topológicas elementares como: separação, ordem sucessão, proximidade e continuidade das linhas, pontos e áreas da fotografia aérea. Assim como nos dominós e no quebra cabeça (descritos a seguir), no jogo da memória, o aluno, ao remeter a sua memória de objetos ou áreas representadas nas peças, consegue fazer uma comparação e assim entender a noção de proporcionalidade, bem como a noção de continuidade de área (Castellar 2011).



Link para download do jogo: Jogo da Memória: Explorando Ourinhos



Depois de localizadas as peças no mosaico de fotografia, perguntas orais que estimulavam as relações topológicas (vizinhança, ordem) e projetivas (esquerda/direita, frente/trás) foram realizadas.



Fonte, Breda, 2010, p. 63
 Darei aqui alguns exemplos:

Questão 1 - “A UNESP se encontra em que posição (direita/esquerda, frente/trás) em relação a Estácio de Sá? E em relação ao Rio Pardo e Rio turvo? Aluno A, você concorda com seu colega a sua frente (aluno D)? e com os seus colegas do lado (B e C)? Por quê?

Questão 2 - “Se você estivesse na central de manobras, onde estaria a Catedral? Qual  seria a direção (a partir dos pontos cardeais) que você iria tomar para ir até lá?”

Questão 3 - “Considerando que o Norte do nosso mosaico está apontado para a lousa, a catedral está à direita, à esquerda, na frente ou atrás em relação: à Estácio de Sá? Ao Clube?  Ao pátio de manobra? Se ficássemos na mesma posição e girássemos o mosaico, com o norte apontando para a porta, o que mudaria?”

Os alunos por se distribuírem ao redor da mesa durante a partida, conforme se observa na figura esquemática "A",  encontravam-se cada um em uma posição, portanto tinham a sua direita e esquerda diferente dos demais colegas na partida. Para o aluno D, a direção a ser tomada para ir da central de manobra (Ponto F) até a catedral (ponto G) seria seguir para o Sul, assim como para o aluno A, B e C. Entretanto para o aluno D, a Catedral estaria na frente da central de manobra. Já para o aluno A, a catedral estaria atrás. Para o aluno C ela estaria à esquerda da central. E para o aluno B, estaria à direita da central de manobra.


Fonte, Breda, 2010, p. 62


Essa questão permite deixar claro para o aluno, que independente da sua posição, a Catedral encontra-se ao Sul da central de manobra. Mas o mesmo não aconteceu com a esquerda/direita, frente e trás, que depende do ponto de referência e de onde o aluno está em relação a esse ponto. O que influi aqui é qual a projeção que o aluno faz, em referência aos pontos:



c) Quebra-cabeça

Este jogo é o mais simples de todos e depende totalmente da participação do professor para dar continuidade ao processo de ensino aprendizagem. Sua dinâmica se processa com a montagem de duas fotografias aéreas, de uma mesma área, do município de Ourinhos. Uma correspondente ao ano de 1974 e a outra de 2004. Após os alunos montarem as fotos, eles deverão analisar as transformações naquele espaço, como desmatamento da vegetação e o crescimento da cidade. Com isto, pode-se relacionar qual foi a causa do desmatamento da mata atlântica e que desde a década de 1974, essa vegetação já se encontrava devastada pelo homem. Outra análise a ser realizada, é sobre o desenvolvimento das redes de transporte aéreo (construção do aeroporto) e rodoviário (construção de rodovias).No momento em que os discentes procuram as peças para o encaixe do quebra-cabeça, mesmo que por “diversão”, eles estarão fazendo uma análise visual minuciosa da peça, que talvez apenas olhando a fotografia aérea eles não fizessem. De todo modo, o jogo permitirá ao aluno uma identificação e posteriormente uma interpretação dos elementos da fotografia, que contribuirá para a inserção de novos conteúdos e uma percepção mais apurada de sua cidade.
Com esse jogo, pode-se trabalhar cálculos de escala e transformações de unidades, como também a confecção de mapas a partir do sensoriamento remoto, e os atributos do mapa, conteúdo do sexo ano.

     
 



Jogo de tabuleiro Conhecendo o Parque Ecológico


Este jogo de tabuleiro é indicado para pessoas a partir de dez anos de idade e para dois a cinco jogadores, cada um por si. O tabuleiro do jogo consiste no mapa no Parque Municipal Ecológico “Bióloga Tânia Mara Netto Silva”. As trilhas são os caminhos que os jogadores devem percorrer até chegar ao destino final. Para isso, foi necessário que as trilhas fossem desenhadas mais larga no tabuleiro, o que as tornou desproporcional em relação ao Parque. Salvo as trilhas, o tabuleiro está em escala 1:400. Este possui uma rosa dos ventos que indica o norte real do parque. Essa rosa contém os pontos colaterais e os pontos subcolaterais.
Durante o percurso, os jogadores poderão parar em casas com pontos de interrogação. Quando isso ocorrer, o jogador anterior deverá ler a carta que contém 4 (quatro) respostas, sendo apenas 1 (uma) correta. Essas cartas abrangem temas contidos no parque (fauna e flora), bem como conceitos e noções de cartografia. Essas cartas são separadas por cores e divididas em níveis de dificuldade: fácil (verde), intermediário (amarelo) e difícil (vermelha), assim, dependendo da faixa etária é possível selecionar a dificuldade do jogo. Além de acertar as perguntas, o jogador precisará de sorte para ganhar, pois durante o caminho, caso esse inflija alguma regra do parque, será punido retrocedendo algumas casas, voltando ao inicio ou perdendo a vez.

Esta atividade permite trabalhar conceitos cartográficos relacionados aos recursos hídricos e conservação ambiental, história do Parque Ecológico e o desenvolvimento do município, conteúdos de ciências (fauna e flora). Já com o tabuleiro, pode-se desenvolver atividades de cálculos de escala e de transformação de unidades, como também noções de localização, orientação, pontos de referencia e distância utilizando a rosa dos ventos. Este também contribui para a interpretação de informações e a construção da noção de legenda.


Registro do Jogo: Desenho Industrial n.DI7102128-0, Padrão ornamental aplicado em tabuleiro. 03 de Junho de 2011 (Depósito); 27 de Setembro de 2011 (Concessão).
Link para download do jogo: Conhecendo o Parque Ecológico




Link para download do jogo: Conhecendo o Parque Ecológico






Apostila: O uso de jogos Geográficos: Passo a Passo
Link para download: Apostila


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]



Principais referências Bibliográficas
AGUIAR, L.M.B. O lugar e o mapa. Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 139-148, agosto 2003 139. Disponível em<http://www.cedes.unicamp.br
Almeida, R. D. de. Atlas municipais elaborados por professores: a experiência conjunta de Limeira, Rio Claro e Ipeúna. Cad. Cedes, Campinas, v23, n. 60, p. 149-168, agosto 2003.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais : geografia /Secretaria de Educação Fundamental. . Brasília : MEC/SEF, 156 , 1998(a).
CAZETTA,C. As fotografias aéreas verticais como uma possibilidade na construção de conceitos no ensino de geografia. Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 210-217, agosto 2003(b). Disponível emhttp://www.cedes.unicamp.br
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Neuchâteo, Suíça: Editions de Lachaux et Niestlé, 1964.
SILVA, L. G. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateralidade, referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Editora Contexto, 2006.

*Este texto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso “O OLHAR ESPACIAL E GEOGRÁFICO NA LEITURA E PERCEPÇÃO DA PAISAGEM MUNICIPAL: CONTRIBUIÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS E DO TRABALHO DE CAMPO NO ESTUDO DO LUGAR” (Vol.I Download, Vol.II Download), da Dissertação de mestrado " O USO DE JOGOS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NA GEOGRAFIA ESCOLAR" Download, e da Tese de doutorado “POR QUE EU TENHO QUE TRABALHAR LATERALIDADE?”: EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS COM PROFESSORAS DOS ANOS INICIAIS Download

Agradecimento: EMEF Jandira Lacerda Zanoni pela confiança e espaço para aplicação dos materiais