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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Caça ao tesouro "El Gurugu": consciência corporal e orientação espacial*




Este trabalho trata da possibilidade do uso do jogo "Caça ao tesouro em El Gurugu" no desenvolvimento do raciocínio espacial em crianças. O jogo apresentado foi construído para a Semana de Ciências de Madrid/Espanha com crianças entre 4 e 5 anos. Os materiais foram elaborados especificamente para serem trabalhados no Centro de Interpretação da Natureza “El Gurugu” uma vez que são confeccionados com mapas e imagens desse espaço, entretanto, a ideia aqui é que essa dinâmica sirva de exemplo e estímulos para outros itinerários. Nossa experiência revelou que as crianças pequenas podem manipular os planos e também interpretar representações cartográficas simples mediante pictogramas que refletiam a realidade. Este trabalho aposta em uma inicialização cartográfica que busca uma progressão gradativa dessas habilidades desde a Educação Infantil, e não somente nos anos finais do Ensino Fundamental.


APLICAÇÃO E CONSTRUÇÃO  DO MATERIAL DIDÁTICO 


atividade de orientação corporal e orientação espacial - aula de geografia
Mapa Caça ao tesouro El gurugu
O objetivo do jogo foi trabalhar o espaço vivido e percebido, a partir da leitura e interpretação de um mapa com representações simples. As orientações da atividade tinham uma abordagem da aprendizagem por descobrimento mediados pelos professores no Centro “El Gurugu”.
A escolha da atividade no Centro de Interpretação da Natureza (CIN) Gurugu buscou criar uma situação fictícia (em um espaço real) que conduzisse as crianças a pensarem espacialmente as situações propostas sem deixar de lado o caráter lúdico e instigante da atividade. O conto infantil, contextualizou a evolução temporal daquele espaço, “explicando” as mudanças da paisagem a partir da necessidade do homem. Teve-se o cuidado de criar um conto em que o enredo do espaço fossem o pano de fundo da atividade para dar uma ordem temporal e uma noção de sequência, uma vez que o CIN “El Gurugu” mescla paisagens com resquícios rurais (La majada e o poço) com construções modernas (elevador e passarela).
Através da história de um avô que escondeu um tesouro que utilizava em suas viagens, fomos narrando aos alunos a história daquela paisagem, contextualizando os principais pontos ou objetos que estavam localizados no mapa (fogão, poço, etc.). Estes objetos eram fundamentais como pontos de referência para os alunos se localizarem e localizarem o local do tesouro.
Apesar da dinâmica do jogo ter como proposta inicial a localização de um tesouro, o objetivo pedagógico da atividade não se restringia apenas na habilidade de localização espacial, mas sim a de criar condições para o aluno situar-se e situar os objetos e lugares no espaço e no mapa. 



lateralidade


Fonte: Elaboração própria

Nesse exercício o aluno pode desenvolver algumas noções elementares que contribui para o desenvolvimento do raciocínio espacial como lateralidade e a noção de distância. É nesse momento que acreditamos que a atividade corpórea pode contribuir para o desenvolvimento desse raciocínio de forma significativa, uma vez que estimula as crianças a pensarem e agirem em situações espaciais concretas, conforme descreve Trepat e Comes,


Plantear las actividades de orientación desde las ciencias sociales en el marco de situaciones-problema lo más “reales” posible, de manera que la actividad espacial suponga al alumno reflexionar sobre su propia percepción espacial (TREPAT e COMES, 2007, p. 160).


A atividade consistiu em uma sequência didática dividida em três momentos:

- Aula introdutória e a utilização do Jogo Dominó do Gurugu
Para que os alunos se familiarizassem com a legenda do mapa, elaboramos um jogo de dominó (figura 1,2 e 3), que consistia nos encaixes entre as legendas do mapa e as fotos reais dos pontos de referência. Assim, no lado direito da peça se encontra o desenho pictográfico, e no lado esquerdo uma fotografia referente a outro local. O aluno tem que buscar a foto do referido desenho em outra peça.


Figura 1: Dinâmica do jogo dominó

      Figura 2: Aula preparatória


- Atividade no Centro “El gurugu” e a utilização do jogo “Caça ao tesouro"
Na atividade prática, dividimos os alunos em dois grupos para facilitar a procura ao tesouro. A introdução da atividade foi feita com o conto sobre um menino que procurava um tesouro escondido por seu avô. A partir desse conto que era narrado durante todo o itinerário a depender do local em que os alunos se situavam, iniciou-se a busca realizada por todo o grupo com o auxílio do mapa do jogo. A ideia era que os alunos decidissem qual o caminho e direção a seguir. Mesmo quando escolhiam um caminho errado, deixávamos que seguissem, até perceberem o erro e retornassem ao caminho correto. Assim, podíamos identificar até que ponto os alunos reconheciam as relações espaciais como em frente e atrás, direita e esquerda.
A ideia foi que a partir do espaço físico vivenciado pela criança através de seus movimentos e deslocamento eles concebessem noções de distâncias, das semelhanças do mapa com a realidade, sem perder o caráter lúdico da atividade, uma vez que a atividade era direcionada para Educação Infantil. Durante a busca ao tesouro os alunos podiam explorar os espaços de lazer do Centro, como o mini arborismo, assim como estava representado no mapa. 
O tesouro era uma bússola, que se mostrou muito interessante aos alunos. Ao explicar este instrumento, foi comprovado o norte apontado no mapa e pôr fim a atividade prática foi finalizada.

- Atividade de encerramento com desenho do mapa
O terceiro momento da atividade ocorreu em sala de aula com a retomada do mapa e de algumas noções e relações espaciais que haviam sido exploradas. A ideia era trabalhar com os alunos o espaço experimentado, completando a passagem do espaço vivido para o espaço percebido. Pedimos aos alunos que representassem em uma folha de papel as observações, para que pudéssemos apreciar os resultados obtidos.

   
Resultados e possibilidades
Durante a atividade, a mediação era controlada, uma vez que queríamos que os alunos tivessem a oportunidade de mover-se pelo espaço a partir das indicações, provocando neles a “necessidade” da utilização do mapa como um recurso e não apenas como uma ilustração.
Segundo as categoriais do espaço descritas por Hannoun (1977), apresentamos no quadro a seguir a descrição das noções que a atividade desenvolveu.

CATEGORIAS ESPACIAIS DESENVOLVIDAS
DESCRIÇÃO
Orientação do espaço
-Lateralidade

-Profundidade

   -Anterioridade
- se localizar e localizar os objetos em relação a eles mesmos e em relação a outros objetos: à frente, atrás, à direita, à esquerda
- andar pelo espaço, indo pela direita, pela esquerda, por baixo, por cima
Apreciação de distâncias (não métricas)
- a partir da experiência do itinerário reconhecido e o mapa do tesouro se estabelece a noção de distância qualitativas (noção dos tamanhos de um objeto, ou da trilha percorrida)
Análise e estruturação do espaço
-Objeto no espaço
-percepção do meio por outros ângulos (aéreo) a partir da trilha suspensa
-observação de todo o centro a partir do itinerário percorrido (distinguir os elementos visíveis) por onde passou, qual o trajeto...
-confecção do croqui
-Posição relativa do objeto no espaço

O espaço vivido é considerado como a base do conhecimento escolar para estruturar o conhecimento geográfico. Castrogiovanni (2000, p.16) afirma que “o espaço vivido é prático, organizado e equilibrado em nível da ação e do comportamento social”. Nesta abordagem se encontram as práticas de sala de aula propostas por Straforini (2004) como estudo de meio, do bairro, da cidade., etc. En los mapas se materializan distintas dimensiones de la espacialidad que se presentan bajo las categorías de forma, localización o distribución de los diferentes objetos, temas o problemas que se traten”, afirma Gurevich, (2007, p. 192). Por tanto, se desde a educação infantil se propõem sequências didáticas com mapas, é possível que as crianças consigam ler a realidade.
Neste trabalho buscamos compartilhar possibilidades de elaborar uma sequência didática com os jogos cartográficos. O dominó e o caça ao tesouro permitiram motivar o interesse das crianças pelos mapas confrontando-o com a realidade.  A continuação, o roteiro por um espaço natural, mediante um conto e o jogo, através da aprendizagem por descobrimento mediada pelos professores criou possibilidades para a tomada de decisões dos alunos.
Ao realizarmos a atividade em um espaço que permitia um deslocamento, e simultaneamente o uso do mapa (deste mesmo espaço), a criança era levada a buscar referências reais para situá-las no espaço e se situar no mapa.
Podemos dizer que a atividade do caça ao tesouro proporcionou nas crianças a projeção do esquema corporal para os objetos. O que estava à frente do poço, estava ao lado da La majada. O próprio deslocamento do corpo alterou a projeção da polaridade (figura e a designação do lugar tanto dos objetos quanto da própria criança ao mover-se pelo centro. Sob essa perspectiva, acreditamos que a atividade levou às crianças a pensarem o espaço além da referência apenas do próprio esquema corporal.

Fonte: Elaboração própria

A sequência didática, além de contribuir diretamente no aprendizado do aluno, possibilitou a criação de uma situação de ensino que propiciasse aos professores envolvidos, momentos de observação e reflexão sobre experiências relativas ao raciocínio espacial em crianças pequenas à luz das teorias pedagógicas espaciais que apontamos no início.
Isso permitiu a observação de como as crianças organizavam e modificavam suas ações para se situarem no espaço tendo como referência os objetos localizados no mapa. A criança conseguia localizar-se no mapa e seguir o caminho indicado, principalmente quando o caminho a ser percorrido era uma encruzilhada e exigia a seleção de um deles. 

Etapas da construção dos materiais


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]


*Este texto é uma revisão sinóptica do artigo O desenvolvimento do raciocínio espacial na Educação Infantil: Estudo decaso com Jogos Geográficos no Centro de Educação Ambiental (BREDA e GARCIA DE LA VEGA, 2016) e do Capítulo de Livro Jogos geográficos na escola: possibilidades para trabalhar noções espaciais e cartográficas (BREDA, 2017).

*Financiamento FAPESP/BEPE/DR (Processo 2014/22919-9) – Projeto “La Alfabetización Cartográfica y el uso de juegos en la formación de profesores: una aproximación entre Brasil y España”, com a supervisão do prof. Dr. Alfonso García de la Vega no Programa de Posgrado en Educación da Facultad de Formación del Profesorado Y Educación, na Universidad Autónoma de Madrid


Agradecimentos
À Daniela Derosas e Marcos Chica pela participação, colaboração e organização em todo o processo de desenvolvimentos desta atividade.

Referências bibliográcas.
ALMEIDA, R. D., JULIASZ, P. C. S.  Espaço e tempo na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2014.
CASTROGIOVANNI, A. C. Apreensão e compreensão do espaço geográfico In: CASTROGIOVANNI, A. C.; C., H. C., KAERCHER, N. A. (Org.) Ensino de geografia, Porto Alegre: Mediação, p. 8-81. 2000.
EGAN, E. K. La comprensión de la realidad en la educación infantil y primaria, Madrid: Morata. 1991
GUREVICH, R. Claves pedagógicas para un análisis geográfico. Em: FERNANDEZ CASO, M. V. y GUREVICH, R. Geografía. Nuevos temas, nuevas preguntas. Buenos Aires: Biblos, p. 171-202. 2007
HANNOUN, H.El niño conquista el medio; Buenos Aires: Kapelusz, 1977.
PIAGET, J. INHEKDER, B. A representação do espaço na criança. Porto Alegre: Artes médicas, 1993.
SIMIELI, M. E. R. Cartografia e ensino, proposta e contraponto de uma obra didática  São Paulo, 1996. Tese (Livre-docência).  FELCH. Universidade de São Paulo.
STRAFORINI, R. Ensinar geografia. O desafio de totalidade-mundo nas series iniciais, São Paulo: Anna Blume, 2004
TREPAT, C. A. COMES, P.  El tempo y el espacio em la didáctica de las Ciencias Sociales. Barcelona, Grao, 2007.

sábado, 28 de maio de 2011

Jogos para o município de Ourinhos-SP


APRENDENDO BRINCANDO: O USO DOS JOGOS NAS AULAS DE GEOGRAFIA*

“a criança faz bem aquilo que faz com prazer”
CHATEAU


A importância de jogos na sala de aula se justifica pela necessidade de materiais atrativos, instigantes que despertem a curiosidade e a vontade de aprender de forma prazerosa. Dessa forma, o jogo tem sua parcela de contribuição no ensino, que como afirma Silva (2006):
[...]o jogo confere ao aluno um papel ativo na construção dos novos conhecimentos, pois permite a interação com o objeto a ser conhecido incentivando a troca de coordenação de idéias e hipóteses diferentes, além de propiciar conflitos, desequilíbrios e a construção de novos conhecimentos fazendo com que o aluno aprenda o fazer, o relacionar, o constatar, o comparar, o construir e o questionar (SILVA, 2006, p. 143).
Piaget (1964), também discute a questão do jogo, entretanto, com uma abordagem diferente. Enquanto Silva (2006) aborda sobre o jogo no ensino, Piaget (1964) trabalha com o jogo na formação da inteligência e, para o pesquisador, o uso do material permite o processo de assimilação; este equilíbrio entre assimilação e acomodação permite a construção da inteligência.
Desde modo, conforme discorre (PIAGET, 1964, p. 19), almeja-se que o jogo se torne mais uma alternativa de material (elemento gerador) heurístico para o professor, pois permite ao aluno por meio de regras e métodos construir por si mesmo a descoberta, o conhecimento e dinamizar a aula, já que o jogo é uma atividade "pelo prazer", ao passo que a atividade séria tende a um resultado útil e independe de seu caráter agradável.Buscando atingir esses objetivos, desenvolvi 5 jogos: os quatro primeiros utilizaram o sensoriamento remoto para a confecção de suas cartas, já o último utilizou o mapa do parque como tabuleiro:

Jogos a partir de imagens de satélite e fotografias aéreas
As imagens de satélite, bem como as fotografias aéreas, além de serem formas pela representação do espaço geográfico, permitem o registro de elementos que compõem a superfície terrestre. Nesse panorama, o professor deve ter clareza que o seu desafio para a leitura da paisagem consiste em “[...] fornecer ao aluno um recurso que possibilita identificar diferentes usos do território [...]”. (ALMEIDA, 2003, p. 160).Tais recursos não se fazem presentes na prática educativa, o que contraria a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que aponta a necessidade do uso de novas tecnologias. Com o intuito de inserir essas novas tecnologias no ambiente escolar, conforme já ressaltado nos PCN’s, essa etapa foi destinada a atividades que possibilitem ao aluno uma aproximação mais contextualizada da leitura espacial e geográfica dos elementos da paisagem, por meio dos produtos de sensoriamento remoto, com a confecção dos jogos cartográficos:


a) Dominós
O jogo dominó, além de fotografias utilizadas, também foi construído por imagens captadas pelo satélite do Google Earth. No entanto, foram criados dois jogos de dominó, em que no primeiro, a sua dinâmica se realiza pelo encaixe entre uma pergunta e sua respectiva representação (imagem), buscando despertar no aluno a interpretação de paisagens e relacioná-las a um contexto. 





 Link para download do jogo: Jogo de Dominó: Andando por Ourinhos




O segundo jogo, se dá com o encaixe entre uma imagem de satélite (visão vertical) e uma fotografia (visão obliqua).Devido ao fato de trabalhar com imagens nas posições vertical e oblíqua, espera-se que o aluno observe imagens por diversos ângulos, porém perceba que se referem aos mesmos objetos, assim permitir a compreensão de mapas que são construídos considerando a visão vertical do real e que, muitas vezes, os alunos sentem dificuldade de interpretar, por não estarem acostumados com a visão vertical; o jogo estimula essa relação.


Link para download do jogo: Jogo de Dominó: Voando por Ourinhos




b) Jogo da memória
As peças construídas neste jogo tiveram suas imagens captadas por satélite, disponibilizadas no Google Earth, de pontos do Município de Ourinhos. Assim, o aluno dever encontrar os pares iguais nas cartas identificando-as e, em seguida, encontrar tais pontos no mosaico de fotografias a fim de despertar a sua localização e finalizar com uma discussão a respeito de cada ponto, destacando sua importância e peculiaridades.O objetivo dessa atividade é levar o aluno a identificar e localizar objetos conhecidos a partir do reconhecimento dos elementos representados, partindo da visão vertical, buscando desenvolver a localização, a lateralidade (ao lado, atrás, em frente). Este jogo permite também trabalhar a noção da proporção e conseqüentemente de escala pois estimula as relações topológicas elementares como: separação, ordem sucessão, proximidade e continuidade das linhas, pontos e áreas da fotografia aérea. Assim como nos dominós e no quebra cabeça (descritos a seguir), no jogo da memória, o aluno, ao remeter a sua memória de objetos ou áreas representadas nas peças, consegue fazer uma comparação e assim entender a noção de proporcionalidade, bem como a noção de continuidade de área (Castellar 2011).



Link para download do jogo: Jogo da Memória: Explorando Ourinhos



Depois de localizadas as peças no mosaico de fotografia, perguntas orais que estimulavam as relações topológicas (vizinhança, ordem) e projetivas (esquerda/direita, frente/trás) foram realizadas.



Fonte, Breda, 2010, p. 63
 Darei aqui alguns exemplos:

Questão 1 - “A UNESP se encontra em que posição (direita/esquerda, frente/trás) em relação a Estácio de Sá? E em relação ao Rio Pardo e Rio turvo? Aluno A, você concorda com seu colega a sua frente (aluno D)? e com os seus colegas do lado (B e C)? Por quê?

Questão 2 - “Se você estivesse na central de manobras, onde estaria a Catedral? Qual  seria a direção (a partir dos pontos cardeais) que você iria tomar para ir até lá?”

Questão 3 - “Considerando que o Norte do nosso mosaico está apontado para a lousa, a catedral está à direita, à esquerda, na frente ou atrás em relação: à Estácio de Sá? Ao Clube?  Ao pátio de manobra? Se ficássemos na mesma posição e girássemos o mosaico, com o norte apontando para a porta, o que mudaria?”

Os alunos por se distribuírem ao redor da mesa durante a partida, conforme se observa na figura esquemática "A",  encontravam-se cada um em uma posição, portanto tinham a sua direita e esquerda diferente dos demais colegas na partida. Para o aluno D, a direção a ser tomada para ir da central de manobra (Ponto F) até a catedral (ponto G) seria seguir para o Sul, assim como para o aluno A, B e C. Entretanto para o aluno D, a Catedral estaria na frente da central de manobra. Já para o aluno A, a catedral estaria atrás. Para o aluno C ela estaria à esquerda da central. E para o aluno B, estaria à direita da central de manobra.


Fonte, Breda, 2010, p. 62


Essa questão permite deixar claro para o aluno, que independente da sua posição, a Catedral encontra-se ao Sul da central de manobra. Mas o mesmo não aconteceu com a esquerda/direita, frente e trás, que depende do ponto de referência e de onde o aluno está em relação a esse ponto. O que influi aqui é qual a projeção que o aluno faz, em referência aos pontos:



c) Quebra-cabeça

Este jogo é o mais simples de todos e depende totalmente da participação do professor para dar continuidade ao processo de ensino aprendizagem. Sua dinâmica se processa com a montagem de duas fotografias aéreas, de uma mesma área, do município de Ourinhos. Uma correspondente ao ano de 1974 e a outra de 2004. Após os alunos montarem as fotos, eles deverão analisar as transformações naquele espaço, como desmatamento da vegetação e o crescimento da cidade. Com isto, pode-se relacionar qual foi a causa do desmatamento da mata atlântica e que desde a década de 1974, essa vegetação já se encontrava devastada pelo homem. Outra análise a ser realizada, é sobre o desenvolvimento das redes de transporte aéreo (construção do aeroporto) e rodoviário (construção de rodovias).No momento em que os discentes procuram as peças para o encaixe do quebra-cabeça, mesmo que por “diversão”, eles estarão fazendo uma análise visual minuciosa da peça, que talvez apenas olhando a fotografia aérea eles não fizessem. De todo modo, o jogo permitirá ao aluno uma identificação e posteriormente uma interpretação dos elementos da fotografia, que contribuirá para a inserção de novos conteúdos e uma percepção mais apurada de sua cidade.
Com esse jogo, pode-se trabalhar cálculos de escala e transformações de unidades, como também a confecção de mapas a partir do sensoriamento remoto, e os atributos do mapa, conteúdo do sexo ano.

     
 



Jogo de tabuleiro Conhecendo o Parque Ecológico


Este jogo de tabuleiro é indicado para pessoas a partir de dez anos de idade e para dois a cinco jogadores, cada um por si. O tabuleiro do jogo consiste no mapa no Parque Municipal Ecológico “Bióloga Tânia Mara Netto Silva”. As trilhas são os caminhos que os jogadores devem percorrer até chegar ao destino final. Para isso, foi necessário que as trilhas fossem desenhadas mais larga no tabuleiro, o que as tornou desproporcional em relação ao Parque. Salvo as trilhas, o tabuleiro está em escala 1:400. Este possui uma rosa dos ventos que indica o norte real do parque. Essa rosa contém os pontos colaterais e os pontos subcolaterais.
Durante o percurso, os jogadores poderão parar em casas com pontos de interrogação. Quando isso ocorrer, o jogador anterior deverá ler a carta que contém 4 (quatro) respostas, sendo apenas 1 (uma) correta. Essas cartas abrangem temas contidos no parque (fauna e flora), bem como conceitos e noções de cartografia. Essas cartas são separadas por cores e divididas em níveis de dificuldade: fácil (verde), intermediário (amarelo) e difícil (vermelha), assim, dependendo da faixa etária é possível selecionar a dificuldade do jogo. Além de acertar as perguntas, o jogador precisará de sorte para ganhar, pois durante o caminho, caso esse inflija alguma regra do parque, será punido retrocedendo algumas casas, voltando ao inicio ou perdendo a vez.

Esta atividade permite trabalhar conceitos cartográficos relacionados aos recursos hídricos e conservação ambiental, história do Parque Ecológico e o desenvolvimento do município, conteúdos de ciências (fauna e flora). Já com o tabuleiro, pode-se desenvolver atividades de cálculos de escala e de transformação de unidades, como também noções de localização, orientação, pontos de referencia e distância utilizando a rosa dos ventos. Este também contribui para a interpretação de informações e a construção da noção de legenda.


Registro do Jogo: Desenho Industrial n.DI7102128-0, Padrão ornamental aplicado em tabuleiro. 03 de Junho de 2011 (Depósito); 27 de Setembro de 2011 (Concessão).
Link para download do jogo: Conhecendo o Parque Ecológico




Link para download do jogo: Conhecendo o Parque Ecológico






Apostila: O uso de jogos Geográficos: Passo a Passo
Link para download: Apostila


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]



Principais referências Bibliográficas
AGUIAR, L.M.B. O lugar e o mapa. Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 139-148, agosto 2003 139. Disponível em<http://www.cedes.unicamp.br
Almeida, R. D. de. Atlas municipais elaborados por professores: a experiência conjunta de Limeira, Rio Claro e Ipeúna. Cad. Cedes, Campinas, v23, n. 60, p. 149-168, agosto 2003.
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais : geografia /Secretaria de Educação Fundamental. . Brasília : MEC/SEF, 156 , 1998(a).
CAZETTA,C. As fotografias aéreas verticais como uma possibilidade na construção de conceitos no ensino de geografia. Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 210-217, agosto 2003(b). Disponível emhttp://www.cedes.unicamp.br
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Neuchâteo, Suíça: Editions de Lachaux et Niestlé, 1964.
SILVA, L. G. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateralidade, referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo: Editora Contexto, 2006.

*Este texto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso “O OLHAR ESPACIAL E GEOGRÁFICO NA LEITURA E PERCEPÇÃO DA PAISAGEM MUNICIPAL: CONTRIBUIÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS E DO TRABALHO DE CAMPO NO ESTUDO DO LUGAR” (Vol.I Download, Vol.II Download), da Dissertação de mestrado " O USO DE JOGOS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NA GEOGRAFIA ESCOLAR" Download, e da Tese de doutorado “POR QUE EU TENHO QUE TRABALHAR LATERALIDADE?”: EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS COM PROFESSORAS DOS ANOS INICIAIS Download

Agradecimento: EMEF Jandira Lacerda Zanoni pela confiança e espaço para aplicação dos materiais