domingo, 23 de julho de 2017

Jogo de Tabuleiro: Localize-se no mundo

Elaboração: Viviane Lousada Cracel
Colaboração: Thiara Vichiato Breda

   Este jogo foi construído com o objetivo de discutir e aprofundar os conhecimentos sobre orientação, localização, movimentos da Terra e fuso horário, que são parte do conteúdo programático para o 6º ano do EF. De acordo Viviane Cracel*, professora idealizadora desse material, o jogo possibilitaria a ampliação dos conhecimentos cartográficos e um maior interesse dos alunos. Isso ajudaria também a deixar as aulas mais dinâmicas a partir do lúdico. 
    A professora utilizou o material após a explicação teórica dos conteúdos e da realização de exercícios, a fim de que os alunos aprendessem por meio do jogo e, ao mesmo tempo, “retomassem” os conhecimentos apreendidos ao longo do trimestre. Para sua confecção, utilizamos como base para o tabuleiro um mapa político do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o programa Inkscape, tanto para adaptar o mapa-tabuleiro como para criar as cartas. 


     No jogo, o jogador precisa completar primeiro a meta estipulada na “Carta Objetivo”, a ser retirada no início do jogo por cada jogador. Nesta carta constam duas coordenadas geográficas em pontos extremos do mapa-tabuleiro: uma será o ponto de partida e a outra o ponto de chegada. Com isso, o aluno posiciona o peão no local indicado como ponto de partida (cada jogador terá um ponto de partida e chegada diferentes). Feito isso, o jogador deverá lançar o dado e andar o número de casas correspondentes apenas na vertical ou horizontal. As casas são os próprios quadrantes formado pelas linhas imaginárias das latitudes e longitudes do mapa-tabuleiro. Quando o dado cair com a face da interrogação, o jogador deverá retirar uma “Carta-Pergunta” sem ver e outro jogador deverá ler a pergunta. Nesta, com questões sobre os temas previamente elencados pela professora da turma, há 3 alternativas com apenas uma correta. Quando respondem corretamente, avançam; caso contrário, ficam uma rodada sem jogar. Vence quem atingir primeiro o objetivo estipulado para cada um.

Tabuleiro - Download aqui

Regras do Jogo - Download aqui    

        
"Carta Objetivo" - Download aqui                "Carta Pergunta" - Download aqui

     No jogo foi possível trabalhar a compreensão de atributos dos mapas e habilidades cartográficas, que auxiliaram na associação de conteúdos geográficos já desenvolvidos com os alunos durante o trimestre. Para o início e desenvolvimento do jogo era imprescindível a compreensão das coordenadas geográficas, caso contrário o aluno não conseguiria dar procedimento na partida. Nas 60 cartas-pergunta a professora teve a preocupação de trabalhar todos os conteúdos relacionados com a cartografia daquele trimestre. Com isso, durante a partida o aluno era estimulado a desenvolver noções cartográficas, como por exemplo nos cálculos de fuso horário em que o aluno, ao compreender o conceito de fuso horário, poderia “encontrar” a resposta no próprio mapa-tabuleiro.

Exemplos de cartas-pergunta e as habilidades ou conceitos trabalhados
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
CONCEITOS
EXEMPLOS DE CARTAS
ORIENTAÇÃO
Pontos cardeais
Qual é o oceano localizado a oeste do continente americano?
LOCALIZAÇÃO
Paralelos e latitudes
Como se chamam as linhas imaginárias horizontais que “cortam” o globo?
Meridianos e longitudes
A longitude varia de?
Coordenadas geográficas
Ponto de partida e de chegada
MOVIMENTO DA TERRA

Estações do ano
Qual das alternativas abaixo apresenta uma consequência do movimento de translação?
Zonas climáticas
O Brasil está localizado em quais zonas térmicas?
Fusos horários
Imagine que sejam 21 horas no Chile. Que horas será em
Taiwan ao mesmo tempo?
Fonte: Breda 2017, p. 46 



     A utilização do mapa-tabuleiro para a construção das noções e conceitos geográficos/cartográficos no “Localize-se no mundo”, foi de fundamental importância para que os alunos dominassem o código linguístico. O material construído especificamente com intencionalidades geográficas, além de estimularem habilidades espaciais e cartográficas, auxiliam na aprendizagem de conceitos inerentes para que esse aluno possa dominar o código linguístico da sua cultura, dando sentido/significação às representações espaciais. Os jogos podem contribuir para que nossos alunos se tornem leitores críticos de mapas e mapeadores conscientes (SIMIELLI, 2010), mas cabe a nós mediadores abordar e compreender feições da linguagem cartográfica em outras situações. Conforme nos alerta Seemann (2014, p. 40), “o que é de maior interesse não é o mapa como produto final, mas os processos da sua concepção e elaboração inseridos nos contextos socioculturais, econômicos e políticos de cada época e lugar”. Fica o convite para nós, professoras e professores, irmos além do domínio gramatical, fazendo emergir em nossos alunos modos de representações mais expressivos, exercitando a linguagem cartográfica nas mais diversas situações e criações das práticas sociais.


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]


*Este material foi desenvolvido pela professora Dra. Viviane Cracel durante o curso de formação Confecção de jogos no ensino de Geografia, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Campinas.

BREDA, T. V. Jogos geográficos na escola: possibilidades para trabalhar noções espaciais e cartográficas. In: RICHTER, Denis; CAMPOS, Laís. Cartografia Escolar. Coleção Docência em Geografia, Goiânia: Espaço Acadêmico, 2017, p. 29-49 Vendido por Espaço Acadêmico
SEEMANN, J. O Ensino de cartografia que não está no currículo: Olhares cartográficos, “carto-fatos” e “cultura cartográfica”. In NUNES, F. G. (org.) Ensino de Geografia: Novos olhares e práticas. Dourados: Editora da UFGD, p.37-60, 2014.
SIMIELLI, M. E. R. O mapa como meio de comunicação e alfabetização cartográfica. In: ALMEIDA, R. D. de. (Org.) Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2010, p. 71-94.

sábado, 22 de julho de 2017

Roteiro para planejamento dos jogos

Os jogos presentes neste blog seguiram as sugestões de Macedo, Petty e Passos (2000), quanto à estrutura e organização, direcionando os jogos para trabalhar as noções ou conceitos cartográficos/geográficos.

Download para planejamento editável aqui


MACEDO, L. de; PETTY, A. L. S.; PASSOS, N. C. Aprender com jogos e situações-problema. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Você ainda encontrará no blog indicações de leiturasdicas de elaboração e alguns exemplos de jogos e regras!!




sábado, 4 de fevereiro de 2017

Caça ao tesouro "El Gurugu": consciência corporal e orientação espacial*




Este trabalho trata da possibilidade do uso do jogo "Caça ao tesouro em El Gurugu" no desenvolvimento do raciocínio espacial em crianças. O jogo apresentado foi construído para a Semana de Ciências de Madrid/Espanha com crianças entre 4 e 5 anos. Os materiais foram elaborados especificamente para serem trabalhados no Centro de Interpretação da Natureza “El Gurugu” uma vez que são confeccionados com mapas e imagens desse espaço, entretanto, a ideia aqui é que essa dinâmica sirva de exemplo e estímulos para outros itinerários. Nossa experiência revelou que as crianças pequenas podem manipular os planos e também interpretar representações cartográficas simples mediante pictogramas que refletiam a realidade. Este trabalho aposta em uma inicialização cartográfica que busca uma progressão gradativa dessas habilidades desde a Educação Infantil, e não somente nos anos finais do Ensino Fundamental.


APLICAÇÃO E CONSTRUÇÃO  DO MATERIAL DIDÁTICO 


atividade de orientação corporal e orientação espacial - aula de geografia
Mapa Caça ao tesouro El gurugu
O objetivo do jogo foi trabalhar o espaço vivido e percebido, a partir da leitura e interpretação de um mapa com representações simples. As orientações da atividade tinham uma abordagem da aprendizagem por descobrimento mediados pelos professores no Centro “El Gurugu”.
A escolha da atividade no Centro de Interpretação da Natureza (CIN) Gurugu buscou criar uma situação fictícia (em um espaço real) que conduzisse as crianças a pensarem espacialmente as situações propostas sem deixar de lado o caráter lúdico e instigante da atividade. O conto infantil, contextualizou a evolução temporal daquele espaço, “explicando” as mudanças da paisagem a partir da necessidade do homem. Teve-se o cuidado de criar um conto em que o enredo do espaço fossem o pano de fundo da atividade para dar uma ordem temporal e uma noção de sequência, uma vez que o CIN “El Gurugu” mescla paisagens com resquícios rurais (La majada e o poço) com construções modernas (elevador e passarela).
Através da história de um avô que escondeu um tesouro que utilizava em suas viagens, fomos narrando aos alunos a história daquela paisagem, contextualizando os principais pontos ou objetos que estavam localizados no mapa (fogão, poço, etc.). Estes objetos eram fundamentais como pontos de referência para os alunos se localizarem e localizarem o local do tesouro.
Apesar da dinâmica do jogo ter como proposta inicial a localização de um tesouro, o objetivo pedagógico da atividade não se restringia apenas na habilidade de localização espacial, mas sim a de criar condições para o aluno situar-se e situar os objetos e lugares no espaço e no mapa. 



lateralidade


Fonte: Elaboração própria

Nesse exercício o aluno pode desenvolver algumas noções elementares que contribui para o desenvolvimento do raciocínio espacial como lateralidade e a noção de distância. É nesse momento que acreditamos que a atividade corpórea pode contribuir para o desenvolvimento desse raciocínio de forma significativa, uma vez que estimula as crianças a pensarem e agirem em situações espaciais concretas, conforme descreve Trepat e Comes,


Plantear las actividades de orientación desde las ciencias sociales en el marco de situaciones-problema lo más “reales” posible, de manera que la actividad espacial suponga al alumno reflexionar sobre su propia percepción espacial (TREPAT e COMES, 2007, p. 160).


A atividade consistiu em uma sequência didática dividida em três momentos:

- Aula introdutória e a utilização do Jogo Dominó do Gurugu
Para que os alunos se familiarizassem com a legenda do mapa, elaboramos um jogo de dominó (figura 1,2 e 3), que consistia nos encaixes entre as legendas do mapa e as fotos reais dos pontos de referência. Assim, no lado direito da peça se encontra o desenho pictográfico, e no lado esquerdo uma fotografia referente a outro local. O aluno tem que buscar a foto do referido desenho em outra peça.


Figura 1: Dinâmica do jogo dominó

      Figura 2: Aula preparatória


- Atividade no Centro “El gurugu” e a utilização do jogo “Caça ao tesouro"
Na atividade prática, dividimos os alunos em dois grupos para facilitar a procura ao tesouro. A introdução da atividade foi feita com o conto sobre um menino que procurava um tesouro escondido por seu avô. A partir desse conto que era narrado durante todo o itinerário a depender do local em que os alunos se situavam, iniciou-se a busca realizada por todo o grupo com o auxílio do mapa do jogo. A ideia era que os alunos decidissem qual o caminho e direção a seguir. Mesmo quando escolhiam um caminho errado, deixávamos que seguissem, até perceberem o erro e retornassem ao caminho correto. Assim, podíamos identificar até que ponto os alunos reconheciam as relações espaciais como em frente e atrás, direita e esquerda.
A ideia foi que a partir do espaço físico vivenciado pela criança através de seus movimentos e deslocamento eles concebessem noções de distâncias, das semelhanças do mapa com a realidade, sem perder o caráter lúdico da atividade, uma vez que a atividade era direcionada para Educação Infantil. Durante a busca ao tesouro os alunos podiam explorar os espaços de lazer do Centro, como o mini arborismo, assim como estava representado no mapa. 
O tesouro era uma bússola, que se mostrou muito interessante aos alunos. Ao explicar este instrumento, foi comprovado o norte apontado no mapa e pôr fim a atividade prática foi finalizada.

- Atividade de encerramento com desenho do mapa
O terceiro momento da atividade ocorreu em sala de aula com a retomada do mapa e de algumas noções e relações espaciais que haviam sido exploradas. A ideia era trabalhar com os alunos o espaço experimentado, completando a passagem do espaço vivido para o espaço percebido. Pedimos aos alunos que representassem em uma folha de papel as observações, para que pudéssemos apreciar os resultados obtidos.

   
Resultados e possibilidades
Durante a atividade, a mediação era controlada, uma vez que queríamos que os alunos tivessem a oportunidade de mover-se pelo espaço a partir das indicações, provocando neles a “necessidade” da utilização do mapa como um recurso e não apenas como uma ilustração.
Segundo as categoriais do espaço descritas por Hannoun (1977), apresentamos no quadro a seguir a descrição das noções que a atividade desenvolveu.

CATEGORIAS ESPACIAIS DESENVOLVIDAS
DESCRIÇÃO
Orientação do espaço
-Lateralidade

-Profundidade

   -Anterioridade
- se localizar e localizar os objetos em relação a eles mesmos e em relação a outros objetos: à frente, atrás, à direita, à esquerda
- andar pelo espaço, indo pela direita, pela esquerda, por baixo, por cima
Apreciação de distâncias (não métricas)
- a partir da experiência do itinerário reconhecido e o mapa do tesouro se estabelece a noção de distância qualitativas (noção dos tamanhos de um objeto, ou da trilha percorrida)
Análise e estruturação do espaço
-Objeto no espaço
-percepção do meio por outros ângulos (aéreo) a partir da trilha suspensa
-observação de todo o centro a partir do itinerário percorrido (distinguir os elementos visíveis) por onde passou, qual o trajeto...
-confecção do croqui
-Posição relativa do objeto no espaço

O espaço vivido é considerado como a base do conhecimento escolar para estruturar o conhecimento geográfico. Castrogiovanni (2000, p.16) afirma que “o espaço vivido é prático, organizado e equilibrado em nível da ação e do comportamento social”. Nesta abordagem se encontram as práticas de sala de aula propostas por Straforini (2004) como estudo de meio, do bairro, da cidade., etc. En los mapas se materializan distintas dimensiones de la espacialidad que se presentan bajo las categorías de forma, localización o distribución de los diferentes objetos, temas o problemas que se traten”, afirma Gurevich, (2007, p. 192). Por tanto, se desde a educação infantil se propõem sequências didáticas com mapas, é possível que as crianças consigam ler a realidade.
Neste trabalho buscamos compartilhar possibilidades de elaborar uma sequência didática com os jogos cartográficos. O dominó e o caça ao tesouro permitiram motivar o interesse das crianças pelos mapas confrontando-o com a realidade.  A continuação, o roteiro por um espaço natural, mediante um conto e o jogo, através da aprendizagem por descobrimento mediada pelos professores criou possibilidades para a tomada de decisões dos alunos.
Ao realizarmos a atividade em um espaço que permitia um deslocamento, e simultaneamente o uso do mapa (deste mesmo espaço), a criança era levada a buscar referências reais para situá-las no espaço e se situar no mapa.
Podemos dizer que a atividade do caça ao tesouro proporcionou nas crianças a projeção do esquema corporal para os objetos. O que estava à frente do poço, estava ao lado da La majada. O próprio deslocamento do corpo alterou a projeção da polaridade (figura e a designação do lugar tanto dos objetos quanto da própria criança ao mover-se pelo centro. Sob essa perspectiva, acreditamos que a atividade levou às crianças a pensarem o espaço além da referência apenas do próprio esquema corporal.

Fonte: Elaboração própria

A sequência didática, além de contribuir diretamente no aprendizado do aluno, possibilitou a criação de uma situação de ensino que propiciasse aos professores envolvidos, momentos de observação e reflexão sobre experiências relativas ao raciocínio espacial em crianças pequenas à luz das teorias pedagógicas espaciais que apontamos no início.
Isso permitiu a observação de como as crianças organizavam e modificavam suas ações para se situarem no espaço tendo como referência os objetos localizados no mapa. A criança conseguia localizar-se no mapa e seguir o caminho indicado, principalmente quando o caminho a ser percorrido era uma encruzilhada e exigia a seleção de um deles. 

Etapas da construção dos materiais


Confira o roteiro para planejar jogos [aqui]


*Este texto é uma revisão sinóptica do artigo O desenvolvimento do raciocínio espacial na Educação Infantil: Estudo decaso com Jogos Geográficos no Centro de Educação Ambiental (BREDA e GARCIA DE LA VEGA, 2016) e do Capítulo de Livro Jogos geográficos na escola: possibilidades para trabalhar noções espaciais e cartográficas (BREDA, 2017).

*Financiamento FAPESP/BEPE/DR (Processo 2014/22919-9) – Projeto “La Alfabetización Cartográfica y el uso de juegos en la formación de profesores: una aproximación entre Brasil y España”, com a supervisão do prof. Dr. Alfonso García de la Vega no Programa de Posgrado en Educación da Facultad de Formación del Profesorado Y Educación, na Universidad Autónoma de Madrid


Agradecimentos
À Daniela Derosas e Marcos Chica pela participação, colaboração e organização em todo o processo de desenvolvimentos desta atividade.

Referências bibliográcas.
ALMEIDA, R. D., JULIASZ, P. C. S.  Espaço e tempo na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2014.
CASTROGIOVANNI, A. C. Apreensão e compreensão do espaço geográfico In: CASTROGIOVANNI, A. C.; C., H. C., KAERCHER, N. A. (Org.) Ensino de geografia, Porto Alegre: Mediação, p. 8-81. 2000.
EGAN, E. K. La comprensión de la realidad en la educación infantil y primaria, Madrid: Morata. 1991
GUREVICH, R. Claves pedagógicas para un análisis geográfico. Em: FERNANDEZ CASO, M. V. y GUREVICH, R. Geografía. Nuevos temas, nuevas preguntas. Buenos Aires: Biblos, p. 171-202. 2007
HANNOUN, H.El niño conquista el medio; Buenos Aires: Kapelusz, 1977.
PIAGET, J. INHEKDER, B. A representação do espaço na criança. Porto Alegre: Artes médicas, 1993.
SIMIELI, M. E. R. Cartografia e ensino, proposta e contraponto de uma obra didática  São Paulo, 1996. Tese (Livre-docência).  FELCH. Universidade de São Paulo.
STRAFORINI, R. Ensinar geografia. O desafio de totalidade-mundo nas series iniciais, São Paulo: Anna Blume, 2004
TREPAT, C. A. COMES, P.  El tempo y el espacio em la didáctica de las Ciencias Sociales. Barcelona, Grao, 2007.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Jogos Pontos turísticos do Brasil




As imagens de satélite, bem como as fotografias aéreas, além de serem formas de representação da paisagem, permitem o registro visto de cima de elementos que compõem a superfície terrestre. Trabalhar com a perspectiva vertical, de cima para baixo, é fundamental para a leitura de mapas, uma vez que essas imagens mostram lugares de um ponto de vista aéreo, do alto, de “lugar nenhum”.


A aquisição de imagens da plataforma Google Earth é uma tecnologia gratuita e de fácil acesso, sendo constituída de imagens orbitais e fotografias aéreas verticais coloridas “naturais”. “As Geografas, ali, vistas de cima, são muito verossimilhantes àquelas percorridas diariamente por nós” (CAZETTA, 2011, p. 178). Essa verossimilhança facilita o manuseio e a interpretação das imagens; pois, conforme destaca Silva (2005), nosso sentimento de realidade associa-se ao nosso sentimento de familiarização. Apesar de as peças serem
confeccionadas com fotografas aéreas e imagens de satélite e não serem propriamente mapas, são documentos gráficos espaciais que podem servir de primeira base cartográfica integradora do entorno do aluno.

A série com os três jogos a seguir segue uma ordem de complexidade do pensamento espacial (percepção visual, coordenação de perspectivas, projeção e representação) em que gradualmente são incluídas novas noções. O primeiro dominó, por exemplo, é uma atividade mais simples, porém esses primeiros ensaios cartográficos são estratégias importantes e estão ligados a outras habilidades que mais tarde auxiliarão o aluno na compreensão de mapas. Sinta-se à vontade para utilizá-los separadamente, ou estabelecer a sequência que julgar mais apropriada para seus objetivos pedagógicos.  

Jogo dominó I - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a interpretação de imagens, com o intuito de incentivar a leitura de textos e a leitura a partir de figuras (fotografias e imagens de satélite).
          Na ponta direita, encontram-se fotografias frontais de um objeto, e na ponta esquerda um texto referente a outro objeto. Cada imagem encaixa-se com um texto específico. Este jogo busca despertar no aluno a interpretação de paisagens e relacioná-las em um contexto.
         
Link para download do jogo: Dominó I - Pontos turísticos do Brasil

Jogo dominó II - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a interpretação de imagens, com o intuito de abarcar as visões vertical e frontal, fundamentais para a construção da legenda. O uso de fotografias tem um grande potencial para a construção do conceito de legenda, devido ao fato da sua relação de analogia qualitativa com o referente como as formas, cores, proporções.
          Na ponta direita, encontram-se fotografias frontais de um objeto, e na ponta esquerda uma fotografia vertical, referente a outro objeto. Cada imagem frontal encaixa-se com a imagem na perspectiva vertical.
          Este jogo faz parte da Coleção Jogos Geográficos e busca trabalhar a Alfabetização Cartográfica.



Jogo da memória - Pontos Turísticos do Brasil

          Jogo de cartas adaptado para a formação dos pares iguais das cartas, que são imagens de satélites. Essa dinâmica permite treinar a visão vertical através da utilização das “chaves de interpretação”, como a tonalidade, forma e tamanho, que auxiliam o reconhecimento dos diferentes objetos nesta perspectiva da imagem, contribuindo para a construção da noção de legenda e leituras de mapas.
          Este jogo faz parte da Coleção Jogos Geográficos e busca trabalhar o letramento Cartográfica.




Fonte:
BREDA, T. V. Jogos Geográficos na sala de aula. Appris: Curitiba, 2018
CAZETTA, V. Educação visual do espaço e o Google Earth. In: ALMEIDA, R. D. de. Novos rumos da cartografa escolar: Currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011. p. 177-186.
SILVA, L. G. da. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateralidade, referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. M. V. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São João: Contexto, 2005. p. 137-156







domingo, 27 de maio de 2012

Caça ao Tesouro Ecológico

JOGO CAÇA AO TESOURO ECOLÓGICO
Uma reflexão crítica e lúdica sobre os recursos hídricos*




CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO

     Pensar no recurso hídrico nos remete a uma gama de abordagens e para o desenvolvimento deste material nos limitamos em três diferentes usos: o doméstico, a produção de materiais e de alimentos, e sobrevivência. Esses três usos foram esquematizados no jogo “Caça ao Tesouro Ecológico” de maneira a propiciar um entendimento das relações sociedade-natureza, ou seja, as diferentes formas com as quais os homens se apropriam dos recursos. A contextualização histórica atual evidencia a situação alarmante do meio ambiente no sentido do uso desequilibrado deste recurso, concretizados em ações como o desperdício e o consumismo. Assim, apoiados na corrente da Educação Ambiental Crítica, o jogo pretende formar indivíduos que problematizem e ajam conscientemente nas questões sócioambientais. 
     Para tanto, o uso doméstico, definido pela SEMA, 
É o uso mais nobre da água, essencial para a manutenção da vida humana, ela é usada para suprir o corpo humano e também necessidades como limpeza de utensílios e habitações, higiene pessoal, cozimento de alimentos, irrigação de jardins, combate a incêndios, limpeza de ruas (BRASIL, 2001, p. 26).
     A partir desta definição foi possível dimensioná-la no material didático levando os alunos a buscar objetos como a torneira e o vaso. Nas pistas que levam a esses objetos esses puderam refletir acerca da quantidade de recurso utilizada e que trás uma necessidade de atitude consciente da utilização do recurso finito, a água. 
     Pensar o uso da água na produção de materiais levou-os a procurar o computador, o metal e o livro. Neste momento a intenção é mostrar aos alunos os impactos da tecnologia de produção no recurso. No processo de produção industrial e agrícola é refletida a utilização de uma grande porção de água e contribui para o entendimento do meio ambiente quando mostra que o recurso hídrico está aplicado não apenas em sua forma bruta, evidenciando ainda mais sua fundamental importância. 
     Por último, o uso da água para a sobrevivência enfoca a condição básica de vida dos seres vivos, a alimentação. Assim, esta se configura como essencial à manutenção da vida e sua produção, na agricultura, utiliza relevante quantidade de água. 
     Em relação ao “tesouro” no final das pistas, as mudas de árvores foram escolhidas devido aos múltiplos papéis que a vegetação exerce na configuração de um ambiente agradável e estável, por exemplo, proteção do solo, regulação térmica e importância no ciclo hidrológico. Vale ressaltar que é no tesouro que o aluno é levado a uma atitude consciente no momento que escolhe “plantar” a muda.
     Nesta perspectiva, a aplicação do material didático, o jogo “Caça ao tesouro ecológico”, na 6ª série, teve como objetivo principal promover a consciência ambiental e a mudança de valores nos alunos de modo que sua atitude possa refletir num meio ambiente equilibrado. 
     Para tanto, foi necessário uma aula introdutória para a construção dos conceitos de Meio Ambiente e Degradação Ambiental. Neste momento, ressalta-se a participação ativa do professor como um mediador no processo de ensino-aprendizagem e o material didático, o jogo, como um instrumento de trabalho. Trata-se de uma relação intrínseca entre estes agentes, de maneira que a falta de um deles pode vir a comprometer o processo.
O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensoriomotor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso os métodos ativos de educação das crianças exigem que se forneça um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil (PIAGET, 1964).

     Diante disso, o jogo se torna mais uma alternativa, pois permite ao aluno construir conhecimento além de dinamizar a aula. Especificamente o “Caça ao tesouro ecológico” é um material que contribui para o processo de educação ambiental.

AULA INTRODUTÓRIA        

     Antes da aplicação do “Caça ao Tesouro Ecológico” se fez necessário uma aula introdutória do meio ambiente com enfoque nos recursos hídricos. A estratégia didática valorizou o lugar, uma vez que a educação ambiental prima pela construção de valores e um repensar nas atitudes que são primeiramente materializadas no lugar. 
     O estudo do lugar deve possibilitar a direta relação com a totalidade já que é possível identificar dinâmicas globais nesta categoria geográfica. O ponto de partida deve ser a inter-relação entre o lugar e o todo, pois, devido o fenômeno da “globalização” não existe lugar estanque, o mundo é uma “sociedade em rede”, globalmente interligado, mas, que contempla peculiaridades.

Cada lugar é, a sua maneira o mundo. Ou como afirma M. A. Souza (1995 p. 65) “ todos os lugares são virtualmente mundiais”. Mas, também, cada lugar, irrecusavelmente imersos numa comunhão com o mundo, torna-se exponencialmente diferente dos demais. A uma globalidade corresponde uma maior individualidade (SANTOS, 2006, p. 213).
     Os Parâmetros Curriculares trazem a preocupação em superar a prática dos círculos concêntricos que preconizam o ensino de Geografia de maneira estanque, uma vez que não inter-relacionam as diferentes escalas. De acordo com os PCNs não se deve trabalhar mais do nível local para o global hierarquicamente e a compreensão da realidade local relacionado no contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade de maneira mais abrangente, desde os ciclos iniciais (PCN’S, 1997). 
     O ensino de Geografia e a construção de valores que contemplem o viés da educação ambiental são mais significativos quando os alunos estudam os espaços próximos de suas vivências, pois, os conceitos se tornam mais concretos e culminam em maior interesse. 
     Desta maneira, a primeira atividade, a dinâmica “Teia da Vida”, consistiu em construir com o aluno o conceito de meio ambiente afim de que eles compreendessem as inter-relações existentes e que não há hierarquia entre os seres vivos, cada um apresenta sua função indispensável. 
     Ao término da atividade os alunos notaram a teia de barbante que foi formada, então um aluno, representando a árvore, simulou o corte e todos os outros alunos sentiram a reação. A dinâmica serviu para fazer uma analogia dos impactos no meio ambiente caso haja degradação de algum elemento. Com um enfoque sistêmico, esta atividade foi de fundamental importância para o estabelecimento de relações causais entre os elementos e acontecimentos que possibilitaram um entendimento do meio ambiente.
     O papel do educador, segundo Freire (1974), é construir junto com o aluno a problematização a fim de gerar um diálogo entre educador e educando. Assim, a tarefa do educador, 
 [..] não é transferir, depositar, oferecer, doar ao outro, tomado como paciente de seu pensar, a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos. A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de interagir, desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico. (FREIRE, 1974, p. 41).

     Durante o debate sobre a dinâmica, a questão do desperdício e da poluição dos recursos hídricos foi relevante para elucidar a situação do córrego, visto no trabalho de campo no córrego Águas do Jacu, principalmente para aguçar as discussões e a percepção ambiental dos alunos. Vale ressaltar, que passado algum tempo próximos ao córrego, os alunos ficaram incomodados com o mau cheiro e os mosquitos oriundos da sujeira.
     Os alunos se impressionaram com a degradação apesar do prévio conhecimento do córrego. Com a mediação foram instigados a uma reflexão crítica a respeito da situação dos recursos hídricos. Assim, o trabalho de campo se configurou como um importante instrumento para a construção do conceito de degradação ambiental em conjunto com a mata ciliar, a erosão e o assoreamento, relevantes para a compreensão da problemática e viabilidade da EA, assim, para fundamentar o jogo.
           

APLICAÇÃO DO JOGO “CAÇA AO TESOURO ECOLÓGICO”

     O jogo “Caça ao Tesouro Ecológico”, dividido nas suas três dimensões de uso da água, permite oferecer aos alunos o conhecimento e a compreensão deste recurso natural para que adquiram valores e atitudes a fim de evitar o desperdício. 
     O jogo teve início com a instrução das regras passadas pelo instrutor aos alunos participantes. 




     Logo em seguida, dividiu-se a sala em dois grupos de acordo com o número de participantes e foi escolhido um representante para cada grupo. A primeira pista que dá início ao jogo foi entregue ao representante de cada grupo, para que este repassasse para os demais. Após sua leitura começou a busca. Ao final das seis pistas os alunos receberam o “tesouro”, uma muda de árvore, plantada por eles no final da atividade.


Link para download das pistas e regra: Caça ao tesouro ecológico

     O material didático construído viabilizou os objetivos traçados no projeto de educação ambiental, com uma maior aproximação da relação sociedade-natureza explorando o meio ambiente da escola e a abordagem problemática das condições do córrego próximo a este espaço.


AVALIAÇÃO

     Após o jogo, foi incitada uma discussão, contida nas regras, a fim de que os alunos relacionassem as pistas com a realidade em que se inserem fazendo um paralelo com a dinâmica global vigente. Esta discussão tem condições de propiciar uma reflexão por meio do seu entendimento enquanto agente integrante e responsável no meio ambiente, assim, da importância da conscientização ambiental. Neste momento a contribuição dos alunos foi salutar, estes se demonstraram receptivos acerca da atividade proposta a partir de suas mais diferentes abordagens.
     A discussão teve caráter avaliativo na aplicação do jogo, pois os apontamentos dos alunos permitiram verificar que a reflexão dos mesmos veio ao encontro dos objetivos propostos, demonstrando a relevância de um comportamento consciente na relação custo da natureza e necessidade do homem, quando mencionaram de forma espantosa os dados quantitativos na produção dos materiais. 
     Para concluir a discussão destacou-se a necessidade de uma mudança de atitude conjunta à conscientização, assim, teriam condições de disseminar a produção de um meio ambiente equilibrado no uso do recurso hídrico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

     A prática da Educação Ambiental realizada nesta disciplina contribuiu com o processo de promoção de uma consciência ambiental nos alunos e para a transformação de seus comportamentos. Em conseqüência disso, espera-se um uso equilibrado do recurso hídrico. 
     A construção do entendimento do aluno como sendo este um agente integrante e responsável no meio ambiente iniciou-se na aula introdutória para se concretizar no jogo. Esta construção se deu com a problemática dos recursos hídricos no meio ambiente nas escalas do lugar e do global. Nesta perspectiva, desenvolveu-se e aplicou-se um material didático, o jogo “Caça ao Tesouro Ecológico” que contemplasse os objetivos da Educação Ambiental com enfoque nas três dimensões do uso da água, ou seja, nas diferentes funções as quais é necessária. 
     A aplicação do jogo contextualizado com a realidade atual oportunizou uma reflexão, no entanto, atividades como esta ainda tem um longo caminho a ser percorrido, visto que os professores encontram dificuldades em trabalhar a EA na sala de aula. Com a intenção de contribuir com os materiais didáticos do Centro de Pesquisa de Educação Ambiental coordenado pela Profª Dra. Luciene Cristina Risso, o jogo “Caça ao Tesouro ao Ecológico” estará disponível para que seja utilizado na prática da EA, assim, visa estimular e atenuar essas dificuldades. 
     Almeja-se assim ter colaborado com o processo de formação de agentes críticos, capazes de reconhecerem a realidade do meio ambiente em que se inserem, bem como a realidade na qual as questões ambientais como um todo estão inseridas, visto os interesses políticos e econômicos como os do agronegócio, da canalização, da negligência frente a degradação dos cursos hídricos e entre outros.

 
REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União. Brasília, 1998.
______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos. Apresentação dos temas transversais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.
______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos. GEOGRAFIA. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.
______. Parâmetros em Ação – Meio Ambiente na Escola: guia do formador. Brasília: MEC/SEF, 2001.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
DIAS, G.F. Educação Ambiental: princípios práticas. São Paulo: Gaia, 2004.
ALVES, Lucimar e Sá. A Educação Ambiental e a pós-graduação: um olhar sobre a produção discente. Dissertação. Rio Claro, 2006.
PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Neuchâteo, Suíça: Editions de Lachaux et Niestlé, 1964.
TOMAZELLO, M. G. C.; FERREIRA, T. R. C.. Educação Ambiental: que critérios adotar aara avaliar a adequação pedagógica de seus projetos? In: Revista Ciência e Educação, v.7., 2001.
 RAMOS, P. Educação ambiental como Política pública: Avaliação dos Parâmetros em Ação - Meio Ambiente na Escola. Dissertação de mestrado. Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade de Brasília, 2004. 




*Projeto desenvolvido por Angélica de Jesus Batista, Luzia de Jesus Matos, Raquel Camalionte Castilho, Silvia Aparecida Fiori Mano e Thiara Vichiato Breda na disciplina de Educação Ambiental ministrada pela Profª Dra. Luciene Cristina Risso no curso de Geografia da UNESP/ Ourinhos.